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Campus de Xanxerê acolhe estudante de Cabo Verde

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O Programa de Estudante-Convênio (PEC), mantido pelo Ministério das Relações Exteriores brasileiro, oferece vagas em universidades brasileiras (cursos de graduação e de pós-graduação) a estudantes de países em desenvolvimento e com os quais o Brasil mantém acordos de cooperação cultural, educacional ou de ciência e tecnologia. Entre os beneficiados pelo convênio está o acadêmico Helder Antonio Teixeira Gomes Cardoso, de 24 anos, natural de Cabo Verde, que cursa a 8ª fase de Design (habilitação em Design Gráfico) no Campus de Xanxerê.

Helder Cardoso está no Brasil desde fevereiro de 2006, possuindo o visto temporário (estudante). Ele fez a inscrição no Programa e foi selecionado pelo Governo de seu país. Entre suas opções estavam Portugal, as Ilhas Canárias (Espanha) e o Brasil. Inicialmente, foi para Portugal, onde ficou dois anos cursando Engenharia Elétrica na Universidade Nova de Lisboa. Descontente com o curso, conversou com colegas que o incentivaram a trocar para Design. Aí, então, resolveu solicitar transferência para o Brasil.

Após ter sua inscrição aprovada pelo Governo brasileiro, o jovem cabo-verdiano fez a opção por Santa Catarina, sendo selecionado para a Unoesc Campus de Xanxerê.

Cabo Verde...

Cabo Verde é um arquipélago formado por dez ilhas. Tendo como bases econômicas o turismo e a pesca, conseguiu independência de Portugal em 1975. Helder morava na cidade da Praia, capital da ilha de Santiago, junto com o pai (engenheiro agrônomo), a mãe (secretária) e uma irmã.

Naquele país, a educação básica é organizada em 12 anos. Os primeiros anos são denominados de primário. A partir do sétimo, é considerado ensino secundário. Helder, que concluiu o secundário em 2002, foi informado, pelo colégio, da possibilidade de estudar em outro país, através de convênio.

E Xanxerê

“No início, foi complicado, pelas diferenças no modo de vida. Eu também não conhecia ninguém. Os primeiros três a quatro meses foram de ambientação. Senti um pouco de dificuldade com a alimentação, pois em meu país de origem há mais variedade e também em função da dieta à base de peixes”, relata sobre seus primeiros tempos em um país diferente, mas semelhante em função da proximidade linguística: a língua oficial dos dois países é o Português.

Assim, com um pouco de dificuldades em virtude das diferenças motivadas pela questão da comunicação, logo se acostumou com o português brasileiro – em sua terra natal é falado o Crioulo (que considera a língua-mãe) e o Português (língua oficial). “Estranhei algumas palavras e expressões, como ‘saque de dinheiro’, que para nós é ‘levantar dinheiro’; ‘ônibus’, que chamamos ‘autocarro’; e ‘carona’, que denominamos ‘boleia’”, explica.

Hoje, já perfeitamente ambientado com os costumes e o idioma, Helder mora com outros três colegas, brasileiros, que também estudam na Unoesc. Seus pais, dos quais “sente muita saudade, em virtude da distância”, auxiliam nas despesas com alimentação, saúde, vestuário e moradia. Em seu tempo livre, joga futsal, paixão trazida de sua terra natal.

Para ele, o período de estudos no Campus de Xanxerê está sendo positivo. “Estou aprendendo muito e já fiz várias amizades”, confessa. Avalia, por outro lado, que o curso de Design “é de bom nível, proporciona um bom aprendizado”. Afirma, ainda, que pretende atuar na sua área de formação, mas antes quer fazer uma pós-graduação, em nível de mestrado.

“Depois, pretendo retornar para Cabo Verde”, finaliza, já se considerando um pouco dividido entre sua pátria natal e um país que lhe possibilitou cursar o Ensino Superior e ter uma profissão definida.

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