Os desafios da nova educação: tema de conferência no último dia do II Colóquio
Minicurso e apresentações de trabalhos também ocuparam a parte da manhã
O terceiro e último dia do II Colóquio Internacional em Educação foi aberto com a conferência do professor da Universidade do Texas e da Universidade Sebrae de Negócios, Max Gunter Haetinger, que abordou o tema “Nova Escola, novo aluno, novo professor e muitos desafios”. A coordenação de mesa ficou por conta da professora Ortenila Sopelsa.
Max Haetinger iniciou sua fala questionando como é que se determina a qualidade da escola no novo século. Ele afirmou que, até os anos 80, a maior preocupação era com a quantidade. Afinal, ainda haviam muitos estudantes fora da sala de aula. Mas, nos dias atuais, em que praticamente todas as crianças estão na escola, o foco tem que ser modificado. “Temos que priorizar a qualidade. Afinal, a cada dez crianças que entram no ensino básico, apenas uma chega ao fim do ensino médio. Menos de 0,5 % chegam à universidade. Hoje em dia, é mais difícil manter uma criança em sala do que há 30 anos. Por isso, o trabalho tem que ser mais focado na qualidade do conteúdo do que na quantidade do mesmo”, explica.
O conferencista defendeu um novo conceito de educação baseado na aprendizagem - que não pode ser confundida com retenção do conhecimento. “A verdadeira aprendizagem é quando este conteúdo é usado na vida prática. Temos o desafio de construir uma escola que comece no caderno e termine na aplicação de seus conceitos perante a comunidade”, enfatizou Haetinger, que decretou como morto o sistema baseado na decoreba: “O computador retém mais informações e dá respostas mais rápidas do que o cérebro. Não temos que ensinar as crianças a decorar. Ao contrário, temos que prepará-las para usar a tecnologia e modificar a sociedade”.
O professor também lembrou a importância dos valores e limites, que são mais facilmente apreendidos quando a escola foge da pura retenção de conteúdo e parte para a aplicação prática e para a convivência entre os alunos. “Com a vida moderna, as crianças não vivem mais em sociedade. As famílias estão menores e o computador é a principal distração. Por isso, precisamos priorizar o trabalho em grupo, que, além de reforçar o conteúdo, incute valores”, explicou o conferencista. Para uma boa aprendizagem, o corpo tem que estar preparado e disposto. Em um momento de grande descontração, Max Haetinger apresentou, através de jogos e brincadeiras, exercícios para motivar os alunos e trabalhar suas percepções e lateralidade. O público dançou e se divertiu.
Na parte final da conferência, o professor gaúcho listou os quatro desafios da educação: a diversidade, a interatividade, o atuar em rede e o novo pensar. A diversidade é baseada na noção de Edgar Morin. “Existem duas diferenças que a humanidade até hoje não aprendeu a lidar: a de renda e a de cor. Além dessas, temos que superar a diferença de sexualidade, não ter medo dos alunos com necessidades especiais e, sobretudo, entender e respeitar a diversidade cultural das crianças. Quando um professor não a leva em conta, ele desrespeita um aluno e este, por conseqüência, perde o respeito por ele”, afirmou.
A interatividade segue os preceitos de Pierre Levy, que considera que as crianças vivem em um mundo de troca e que a escola tem que saber dar voz aos alunos – que estão cada vez mais inseridos na sociedade da informação e querem ser ouvidos ainda mais. Já o atuar em rede é baseado nas idéias do chileno Humberto Maturana: “A formação tem de ser completa e os educadores têm de sempre trocar informações, criando um ambiente de interdisciplinaridade e mantendo a sintonia. A sala dos professores tem que ser igual a um vestiário de futebol – um ambiente de motivação mútua, ao invés do muro das lamentações”. Já o novo pensar diz respeito a uma nova forma de reflexão que deve ser ensinada nas escolas. “Precisamos de atividades lúdicas, jogos e vivências. Assim, em contato com o conhecimento, o aluno aprende mais”, encerrou Haetinger.
Ainda na parte da manhã, aconteceu o minicurso “Análise psicopedagógica dos distúrbios da aprendizagem”, com Antonio Manuel Pamplona Morais, da Clínica de Psicologia de São Paulo, no Auditório Afonso Dresch. Também tiveram vez as comunicações orais, relatos de experiência e apresentações de trabalho, que foram realizadas em diversos pontos do Campus de Joaçaba.
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