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Palestra com Miguel Arroyo traz o diálogo como principal método educativo

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A palestra intitulada 'A Formação docente na perspectiva do diálogo educativo', com o pós-doutor em Educação Miguel Gonzalez Arroyo, foi o assunto tratado na primeira noite, 23 de julho de 2009, do 8° Colóquio de Educação, promovido pela Unoesc - Campus de São Miguel do Oeste. Mais de mil educadores do Extremo Oeste catarinense, Noroseste do Rio Grande do Sul e Sudoeste do Paraná participaram da palestra, que ocorreu no Parque de Exposições Rineu Gransotto, em São Miguel do Oeste. O palestrante é um dos responsáveis pela elaboração da proposta político-pedagógica Escola Plural, também um dos articuladores da implantação dos nove anos no Ensino Fundamental em todo o Brasil.

Na palestra, Arroyo mencionou que a melhor forma de educar é utilizando sempre o diálogo. "A formação do professor não pode ser vista só para ser mais eficiente, para que o aluno aprenda mais e tenha melhores resultados nas provas. A formação do docente deve ser vista como um direito. O professor tem direito à formação, tem direito como pessoa humana que é, tem direito a entender de cultura, literatura e entender o mundo em que vive enquanto ser humano. Depois, ele tem que se formar como profissional. Mas como profissional de que?", questiona Arroyo. Segundo ele, dá garantia de direitos. "O professor deve ser um profissional capaz de dar conta do direito da infância, da adolescência e também da fase adulta. A formação deve ser plena e continuada", salienta.

O 'abrir dos olhos'

O primeiro passo, segundo o palestrante, é os professores 'abrirem os olhos' para a realidade. "Ouvimos muito os professores mandarem os alunos 'calarem a boca', como forma de impor limites. O diálogo, então, torna-se impossível, pois não se pode dialogar se a boca estiver calada!", enfatiza. A partir daí é que os alunos ficam indisciplinados. "Começam a procurar outras maneiras para se manifestarem, para serem entendidos. Ficam agitados, mexem com o colega do lado ou ficam isolados", destaca.

Avanço

Apesar de ainda se buscar melhorias na educação, Arroyo afirma que o ensino já melhorou muito. "Há uma grande sensibilidade por parte dos professores das escolas. Mas ainda devemos formar uma consciência de que o diálogo não é eu falar com você e você falar comigo, e sim, eu te conhecer, saber de teus problemas para poder explicá-los ou compreendê-los.", explica. Para ele, o profissional da educação continua sendo desvalorizado no Brasil. "Esse é um reflexo da desvalorização da infância e da juventude", comenta.

Tecnologia

"Tecnologia não é conhecimento", garante oPhD. A tecnologia deve ser um facilitador para a obtenção do conhecimento.  "Mas, muitas vezes, a tecnologia se torna uma barreira para o conhecimento", afirma Arroyo. Esse é mais um desafio para os professores, usar a tecnologia - que é uma ferramenta - não como a principal produtora de conhecimento, e sim de forma a agregar os saberes. "Eu ainda considero que, no diálogo, pessoa com pessoa, o conhecimento é muito mais didático que com a tecnologia", finaliza o palestrante.

A programação do 8° Colóquio de Educação continuou nos dias 24 de julho com mais cinco palestras no Parque de Exposições Rineu Gransotto, e no dia 25 de julho, com 18 oficinas temáticas na Unoesc - Campus de São Miguel do Oeste.

 

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